Minha nada mole vida

Por M.C.* (nome do autor da postagem reservado)

problog2 Chamo-me M.C. Tenho 28 anos. Ao assumir para mim mesmo minha condição sexual, Há mais ou menos dez amos atrás, não sabia eu o quanto seria e é difícil viver em Salvador como homossexual. Dificuldade maior ainda pelo fato de ser alguém vindo de uma família extremamente conservadora, com tradição machista de homens com várias mulheres e é cultuado o repúdio aos homossexuais, sejam eles gays ou lésbicas ou qualquer coisa parecida.

Desde muito novo já sabia que havia algo estranho em mim, porém hoje, aos 28 anos, penso que minha dificuldade em me assumir tardiamente, aos 19 para 20 anos, veio muita de uma educação repressora. Porém ao mesmo tempo não posso e não devo culpar meus pais por nada, pois eles também são frutos de toda uma contextualização cultural familiar. A questão foi que mais ou menos com essa idade, meio que resolvi viver tudo o que não tinha vivido até então, o que poucos anos depois que fui ver que era mera perca de tempo. Pois ele, justamente o tempo, já havia passado e precisava sim viver, mas viver o presente.

Outra dificuldade maior que penso, deve ser de muitos jovens que passam ou passaram pelo mesmo problema do que eu, foi o fato da inexperiência e sede em querer saber muito e mais a qualquer custo. Muitas das situações vividas quase me custaram a vida. Durante esses quase dez\ anos, me expus e exibir em Boates de Salvador, passei pelas mais variadas camas e não só em camas, como moitas também, praias, etc…

Há alguns anos atrás cheguei a ser confundido com garoto de programa pois andava sem camisa na orla de Salvador, o que me custou um dente quebrado, um murro no olho e vários hematomas pelo corpo. Na época a desculpa utilizada foi que “Fui assaltado, do nada, três caras me pegaram e levaram tudo”. De certo que o local onde trafegava era e é até hoje próximo a um dos locais conhecido como “local de pegação” da galera, principalmente aqueles que se dizem “não gays”.

O que eu aprendi com isso tudo foi a encarar a vida com muito mais responsabilidade apesar de ter me tornado uma pessoa muito mais cética com relação as situações, porém ainda esperançoso em um dia onde todos tenham os mesmos direitos, independente de sua opção sexual, cor, raça, gênero ou seja lá o que for…e que essas mesmas pessoas, acreditem nelas mesmas, que podem ser felizes, construírem um história e encontrar um amor verdadeiro…eu ainda espero o meu.

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